Mentir para desarmar, desarmar para dominar

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Sobre o livro: Mentiram para mim sobre o desarmamento.

Políticas de desarmamento só existem para manter o poder bélico nas mãos do estado, impedindo assim levantes populares e permitindo que governos fiquem livres para implementar quaisquer medidas, mesmo contra a vontade da população.

Isso é tão evidente que simplesmente sempre foi assim na história. E essa história é muito bem contada pelo livro Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento, de Flávio Quintela e Bene Barbosa. Além da revisão histórica sobre o assunto, o livro traz um verdadeiro guia de mentiras mais comuns e mais difundidas pelos meios de comunicação, desfazendo-as com informações sonegadas à população. Por exemplo, dados históricos pouco conhecidos. Durante o período colonial do Brasil, a fabricação de armamentos era punida com a morte.

O objetivo evidentemente não era conter a criminalidade (que praticamente não existia), mas proteger o Portugal de levantes e revoltas populares contra o seu domínio. Isso não impediu totalmente que surgissem milícias revoltosas, como na Inconfidência Mineira e, posteriormente, as milícias usadas para a Independência.

O governo português soube utilizar o movimento de independência para canalizar forças bélicas e deixar tudo nas mãos do governo central, mesmo que para isso precisasse criar um governo central brasileiro, independente. As antigas milícias formadas para a luta pela independência, precisavam ser reintegradas ao estado, sob pena de deixar armas soltas fora das mãos do estado.

Foi com esse pensamento que o regente Diogo Antônio Feijó entregou o poder das milícias a grandes fazendeiros e os concedeu patente militar de coronéis. Surgia o coronelismo, instrumento importante para o governo na tentativa de centralização. Mas tornaram-se forças autônomas e integraram-se na tradição do país. Auxiliaram nas guerras da Cisplatina e do Paraguai, mantendo seu poder regional e acabaram firmando sua autoridade na luta contra o cruento cangaço. Muito depois, Getúlio Vargas percebeu que os coronéis ofereciam uma alternativa ao poder central do governo e, portanto, eram uma ameaça a esse monopólio. Como não era fácil demonizá-los para a população como era com os cangaceiros, o governo utilizou uma estratégia que nos é muito semelhante: difundiu-se que os cangaceiros deviam suas armas aos espólios de conflitos com os jagunços dos coronéis.

A solução era o desarmamento voluntário, o que de fato ocorreu em grande parte fazendo com que perecessem aqueles coronéis e inclusive motivando um agradecimento e elogios ao governo vindos do maior líder do cangaço, o Lampião. A resposta a todos os maiores e piores argumentos desarmamentistas é relacionada neste livro que, para quem pretende estar informado sobre o assunto, é uma verdadeira bomba!

Conheça o livro Mentiram para mim sobre o desarmamento, de Flavio Quintela e Bene Barbosa.

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